Mas à beira de outro choro me lembro, de repente, que também de alegria eu chorei. De rir gostoso com amigas "meu olho chorou". Depois do alívio e depois do perdão lágrimas caíram com facilidade e ainda mais eu chorei quando conheci A Verdade. Vendo filmes e lendo livros, caí no choro tantas vezes, logo logo aprendi a chorar por pena dos outros e não de mim mesma. Percebi que podia mas não queria chorar, passei a chorar só quando precisava, quando alguém partia e não mais voltava. Hoje mesmo, que vontade de chorar mas desse jeito cheguei a uma conclusão: Chorei de tristeza e de muita emoção e de repente me vi cansada de chorar e foi bem ai que eu decidi parar. Afinal, se eu já nasci chorando, para que continuar?
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Poder e Não Querer.
Eu nasci chorando. Chorava quando tinha fome e não sabia dizer e ainda mais quando queria colo. Chorei de pirraça, chorei por levar bronca por causa da pirraça, chorei pra disputar atenção com minhas irmãs e porque não queria comer salada. Chorei quando tive que mudar de cidade, quando não via mais vovó e meus primos todos os dias. Quando meu gatinho morreu, eu chorei. Quando vi mamãe e papai brigando, também. Quando tive minha primeira discussão com uma amiguinha ou quando mamãe não deixava eu ir pra casa dela passar a noite só soube chorar. Quando meu primeiro amor puxou meu cabelo ao invés de me dar um beijinho no rosto ou segurar minha mão, eu chorei. Troquei de colégio e me pus a chorar, levar bronca de professora foi só mais um motivo. Minha irmã me delatava pra minha mãe e eu chorava de raiva. Chorei ao pensar em fugir de casa e ao notar que não seria nada sem mamãe. Chorei de coração partido, ah como chorei. Chorei de brigas sem motivo, ah como chorei! Chorei de tanta saudade e de tanta vontade, chorando me vi também de tanto arrependimento. Fui embora outra vez e chorei nos ares, chorei na terra e chorei no mar. Voltei chorando, coração apertado, já havia aprendido o que é amar. Briguei mais, e tirei notas baixas, tomei um porre e acabei chorando por tudo ao mesmo tempo. Chorei rápido, chorei devagar, chorei alto e baixinho só pro travesseiro escutar. Senti na pele a ilusão e mais uma vez eu me acabei de chorar. De dor física, de dor sentimental, de dor na teoria e dor na prática, chorei. Me escondi pra chorar e chorei pra me mostrar. Deus e eu sabemos o quanto e o por que de cada vez que eu chorei!
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Uma jornalista nata! EXCELENTE texto!
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