Não sentimos tudo aquilo que devemos e não falamos tudo aquilo que queremos. Deixa-se limitar aquele que não tem coragem ou aquele que é sensato, mas a linha entre os dois não é tão tênue como dizem tantos. O ser que sente é o mesmo que quer se expressar e até o que não sente deseja que isso seja comunicado, pois afinal, temos necessidade de libertar os pensamentos ou mesmo a plenitude do nada que nos pertencem.
Falar e não sentir ou sentir e não falar é um traço comum daqueles que se limitam à mediocridade emocional através de mentiras, omissões ou inibições. Por medo de externar sensações, somos capazes de esconder até de nós mesmos o potencial de sentir e isso nos leva a tolher a vontade de falar sobre qualquer coisa que remeta à emoções.
A verdade é que ninguém quer errar e todos sabem que os sentimentos e suas expressões, sem dúvida alguma, apresentam grandes riscos. Assim, fica estipulado que é mais simples ignorar ambos 'problemas' e seguir vazio do que enfrentar suas possíveis consequências. Entretanto, o mais difícil de toda essa epopeia sentimental é decidir quem é o sensato e quem é o covarde. Penso que o que torna essa definição um dilema é o fato de que qualquer um faz de tudo para se justificar e se provar incorrigível e desse jeito, nos tornamos todos uma multidão de sensatos mesmo quando nos privamos daquilo que pode nos libertar e fazer feliz.
Que não vire mania mas um mero hábito do ser humano fazer a si próprio o favor de sentir mais. Sinta paixão, nervoso, sinta frio ou calor no mais figurado dos sentidos, sinta raiva, vez ou outra, mas sempre sinta o dobro de vontade de falar sobre isso. Grite, cante ou chore mas expresse o que precisa e o que quer. Incógnitas não servem para nada a não ser que haja alguém que as possa decifrar. Seja sensatamente corajoso e faça transparecer o que te faz existir!