segunda-feira, 26 de julho de 2010

Funções,Causas e Efeitos.

Análise incompleta e impertinente mas ainda assim, muito importante de algo que todos nós conhecemos, ou melhor, sentimos bem: A saudade.

"Sentimos saudade de certos momentos da nossa vida e de certos momentos de pessoas que passaram por ela." Carlos Drummond de Andrade
A conjugação de verbos no pretérito tem uma capacidade incrível de instalar em nós um tormento cuja proporção é variável e cuja solução, muito pelo contrário, é única. Não me entendam errado, nem tudo o que é passado deixa saudade assim como nem tudo que é futuro causa surpresa. O importante é que se alguma coisa lhe faz falta significa que foi algo bom e memorável.
Há vezes que sentimos falta daquilo com que estamos muito acostumados. Sentimos falta de nossos pais, de nossa cidade natal, sentimos falta do antigo colégio e assim por diante. Outras vezes temos saudade daquilo que correu ligeiro por nossas vidas mas marcou tanto quanto ou ainda mais do que qualquer rotina e qualquer costume. De todo jeito, quando nos damos conta de que algo ou alguém que tanto nos faz bem, não está mais lá, há um choque interno que dá origem à saudade. Esse sentimento que surge quase que instantâneamente dita suas ações, pensamentos e claro, outros sentimentos seguintes, e não há muita coisa a ser feita além de aceitar e conviver.
Para quem acha que a saudade não serve para nada além de torturar, intrigar e chatear eu tenho uma notícia: a impressão de falta e vazio que se tem é útil em vários aspectos justamente por interferir em âmbitos diversos de nosso sistema. Desse jeito tomamos decisões, sábias ou não; formamos opiniões e até teorias e mais; temos a oportunidade de remanescer o quanto for possível sobre o assunto. Enquanto houver a saudade, tudo permanece onde estava, por mais longe que esteja, por mais inalcançável que seja. É essa a beleza de um sentimento obscuro que aflige a tantos.
A grande verdade é que a dualidade invade o indivíduo saudoso e é isso que causa o sofrimento. Não saber se a distância vai machucar ou fazer bem, se é para sempre ou por um segundo, é isso que atormenta: o constante não saber. E se a saudade não for recíproca? E se não vale a pena o tempo perdido? Quase nunca há uma certeza e é por isso que dói estar longe do que se gosta.
Por fim, a saudade é lembrança, é fonte inesgotável de água que não jorra mais e se lembranças (tanto as doces quanto as amargas) nos servem bem, também deve a saudade valer de alguma coisa para nós. Por outro lado, já que tudo é dualidade quando se pensa em sentimento, Clarice Lispector já disse: "Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem." Concordando com ela só posso pensar que apesar de seus valores, a saudade transtorna e transforma e seja isso bom ou ruim, a ambiguidade traz a confusão e a confusão nos faz perder a calma e isso leva à nostalgia e complicações que deveriam ser evitadas. E como evitá-las? Como já disse, só há uma solução: amar mais o que nos faz falta do que odiar a distância que nos separa.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Uma Metáfora.

O mundo prepara para nós cenários, imagens que nos servem muito como exemplos para experiências pelas quais vamos passar. São metáforas, analogias que, àqueles que atentam para elas, despertam curiosidades e pensamentos sobre como a vida, em toda forma e aparência, tem tanto significado.
Um dia alguém me falou sobre uma dessas metáforas que me impressionou um pouco e isso foi só porque é incrível como uma coisa tão pequena pode fazer tanto sentido e se encaixar tão bem em situações da nossa vida. O cenário é o seguinte: imagine uma mariposa, ou qualquer inseto que o valha; grande, pequeno, enfim, daqueles bichinhos que ninguém gosta. Imagine um desses fazendo o que eles mais gostam de fazer, rodopiar em volta de lâmpadas. E lá está a mariposa rodeando aquele objeto tão brilhante, tão chamativo... e por longos minutos, quem sabe horas, ela é capaz de fazer os mesmos movimentos, simplesmente por sentir-se atraída por aquele transmissor de calor e luz que é capaz de torná-la quase que hipnotizada. É engraçado pensar em como isso pode se relacionar à nós humanos, inteligentes e sensatos (ou pelo menos aqueles que o são) mas, a grande sacada vem a seguir.
Esses insetos provavelmente não sabem do risco que correm quando ficam tão perto de objetos superaquecidos, tampouco sabem que podem vir a se machucar muito desse jeito. E o mesmo acontece conosco; não nos damos conta do perigo ao qual estamos expostos quando rodeamos "lâmpadas". O problema é que as vezes demoramos muito para perceber e admitir que estamos agindo como bichinhos acéfalos e o motivo para isso é bem claro: ninguém quer reconhecer-se tão cego, tão ignorante mas a verdade é que qualquer um está suscetível a isso.
Seja qual for a realidade por trás da metáfora, o importante é que procuremos sempre ser a "lâmpada", ou seja, não dependa de nada, nem ninguém para brilhar, iluminar o que for, mantendo sempre a resguarda que protege daqueles que pretendem tirar proveito de tudo isso. Não se compare nunca à mariposa que se engana e se arrisca ao redor de tudo que lhe atrai, sabendo ou não dos riscos que lhe oferece. Ao final de tudo, a lâmpada pode ser um pouco perigosa mas, vale muito mais a força e intensidade do que a insistência e o despreparo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Down Memory Lane

Fotografias, cartas, objetos, poesias e livros. Trazem à memória, cheiros, gostos, lembranças de dias passados que tão raramente atingem nosso pensamento.
É nostalgia? É. É tristeza? É. É felicidade? Também. Revirar os armários, as caixinhas e gavetas sempre nos lembra alguma coisa e acho que essa é, indiscutivelmente, a melhor parte em um cenário de mudança.
Sentada no meu quarto com minhas melhores amigas, eu corri por uma vida quase inteira só lendo bilhetinhos trocados durante as aulas, redações feitas há anos atrás, músicas nem tão antigas assim, livros que me arrependo de nunca ter lido e outros que pretendo ler novamente. Alguns objetos dos quais não me recordava de ter, vários deles muito inusitados, trabalhos de escola, cartinhas de amigas e outras escritas por mim que nunca foram entregues. Foram tantas risadas e algumas 'quase' lágrimas e o mais impressionante é que eu sei que através dos anos, com todas as mudanças, com todos os efeitos, toda essa "tralha" vai sempre me encantar.
Eu tenho uma mania. Eu guardo tudo que a mim emociona, apela, de algum jeito. Tenho embalagens de chocolate, CDs gravados, cartões e convites de aniversário, tudo quanto me faça lembrar de alguma coisa que vale a pena ser lembrada. Sinceramente, não sei porque mas, guardo tudo isso como jóias preciosas que jamais se extinguirão e me trarão sempre as mesmas emoções.
Alguns podem perguntar, "De que vale isso tudo se você não vai morar mais na cidade, não vai mais conviver com aqueles que lhe ofereceram as memórias que quer tanto guardar?" Sem hesitar eu digo o valor dessas bugigangas. Exatamente por saber que as coisas jamais podem permanecer as mesmas, por ter experimentado mudanças irreparáveis, eu e tantas outras pessoas, gostamos de armazenar, pedacinhos do que já foi, do que já significou algo, e por mais incrível que pareça, guardar tudo isso ajuda, e muito, a 'trazer de volta' os momentos do passado.
Mais uma vez, eu admito que é tudo um acúmulo de nostalgia que nem sempre vale tanto a pena assim mas, é inevitável para mim sentir tudo que sinto ao me deparar com essas lembranças e é um pouco assustadora a visão de como tudo mudou. De qualquer jeito, correr por cantinhos obscuros da memória é e sempre vai ser algo de muito interessante a fazer.
Algumas vezes, quando nos sentimos um pouco sem rumo ou talvez quando as indecisões são maiores que as certezas, o melhor a fazer é relembrar dos lugares por onde já passamos, de onde viemos, de quem nos cativou e a quem cativamos pois isso tudo faz parte de quem somos e certamente nos permite descobrir as pessoas que um dia seremos.